Uma projeção da eMarketer indica que a Meta (Facebook, Instagram, WhatsApp e Threads) deve se tornar a maior empresa do mundo em receita de publicidade digital até o fim de 2026, superando o Google/Alphabet pela primeira vez nesse ranking.

Pelos números estimados, a Meta encerraria 2026 com cerca de US$ 243,46 bilhões em receita líquida de anúncios digitais, levemente acima do Google, com US$ 239,54 bilhões. Em participação de mercado, a Meta ficaria com aproximadamente 26,8% do gasto global em anúncios digitais, ante 26,4% do Google.

 

 

Por que essa virada é relevante (além do “quem está em primeiro”)

O Google dominou por anos a “maior fatia do bolo” porque o search sempre foi o lugar mais eficiente para capturar intenção: a pessoa digita o que quer e o anúncio aparece no momento exato. A leitura da eMarketer, porém, é que a dinâmica está mudando: o crescimento acelerado da Meta viria de uma combinação de formatos e inventário publicitário mais diversificados, enquanto o Google segue muito ancorado em formatos tradicionais de busca e vídeo.

Em outras palavras: não é que o Google “parou”. É que a Meta encontrou uma forma mais elástica de capturar orçamento em múltiplas situações de consumo (feed, stories, reels, directs, descoberta), com performance cada vez mais guiada por IA.

 

 

O motor da Meta: automação e performance “empacotadas”

Um dos pontos citados para explicar o avanço é a adoção do Advantage+ (o conjunto de ferramentas de automação de campanhas da Meta), que reduz fricção na operação, acelera testes e tende a melhorar eficiência para muitos anunciantes — especialmente quando o objetivo é performance e escala.

Esse tipo de automação também altera o comportamento de alocação de verba: quando a plataforma “promete” entregar resultado com menos trabalho operacional, parte do mercado migra orçamento para onde o ROI parece mais previsível no curto prazo.

 

 

Reels, Threads e WhatsApp: mais superfícies para monetizar

Outro componente é a expansão de inventário. Reels virou peça central no consumo de vídeo curto dentro do ecossistema da Meta, e a empresa vem adicionando oportunidades de monetização e novos posicionamentos publicitários conforme esses produtos amadurecem.

O que o mercado costuma observar aqui é simples: quando a Meta abre novos “lugares” para anúncios em produtos com escala, ela cria mais capacidade de absorver orçamento — e isso ajuda a sustentar crescimento mesmo quando alguns formatos tradicionais saturam.

 

 

E o “resto do pódio”?

A projeção da eMarketer também aponta a concentração do mercado: além de Meta e Google, a Amazon aparece como o terceiro grande polo de publicidade digital, e o restante do share se fragmenta entre outros players (como ByteDance/TikTok, Microsoft e Apple, dependendo do recorte do estudo).

 

 

O que essa mudança sinaliza para quem anuncia

  • A compra de mídia fica mais “orientada por máquinas”. Criativo, dados e automação passam a determinar mais resultado do que micro-otimizações manuais.
  • A disputa deixa de ser só por clique e vira disputa por atenção em formatos de descoberta (especialmente vídeo curto).
  • Mensuração e incrementabilidade voltam ao centro: com automação forte dos dois lados, a vantagem competitiva passa a ser saber medir o que realmente está gerando crescimento.

 

 

Projeção não é certeza (mas é um termômetro útil)

É importante ler isso como o que é: uma previsão. Ainda assim, o dado funciona como termômetro do momento do mercado publicitário digital: a lógica de “intenção explícita do search” continua poderosa, mas a lógica de “descoberta + recomendação algorítmica + automação” está capturando uma fatia crescente do orçamento.